Ritmo, rostos, texturas: Sabine Buchmann no Brasil

Ritmo, rostos, texturas: Sabine Buchmann no Brasil

 

«Minha obra inteira é comparável à obra do tecelão que tece um pano com uma textura surpreendentemente pura” (Malévitch)

Os antigos mestre chineses realizavam uma escrita que era pintura.

Para os chineses, pois, escrita e pintura são coisas idênticas.

O monge e pintor chinês Shitao, conhecido como o “Abóbora Amarga”, escreveu que um único traço marcando uma superfície branca podia representar o Universo.

Na contemporaneidade, igualmente, Sabine Buchmann, se insere nesta linhagem.

Uma boa parte de sua obra é marcada pelo minimalismo rítmico. E nisto ela assume a influência decisiva do Suprematismo de Malevitch e de sua redução às formas primevas.

Na realização desta performance brasileira, Sabine Buchmann insere o ritmo do desenho-pintura na cadência dos corpos dos atores que apresentam os quadros colados em seus corpos sobre tecidos vermelhos, brancos e negros, as cores do Suprematismo de Malevitch.

Os participantes seguem um ritual sagrado como o de uma oferenda, com uma troca de quadros vivos, seguida de seus afastamento e desaparecimento da cena.

Parábola do corpo como tela.

Parábola da osmose natureza (o corpo)-cultura (escrita-pintura).

Parábola do aparente, do visível e da passagem à invisibilidade.

Parábola da presença/ausência.

E o que permanecerá deste ato?

Tudo o que for essencial do ritmo: rostos ligeiramente delineados, faces com contornos lacônicos, ao mesmo tempo tão simples e tão complexos em suas diversas possibilidades de interpretação.

Rostos humanos, para além de todo psicologismo, na variedade das expressões.

Mas também: templos do ser humano, lugares sagrados da visão e do pensamento.

O pictural, isto é, a organização do espaço num certo contexto e numa certa ordem.

O pictural se inscreve na textura, quer dizer, numa trama, num tecido.

Sabine Buchmann fabricou pessoalmente, a partir de folhas de legumes ou de árvores, os papéis que lhe servem de suporte nesta apresentação. Esta tessitura orgânica vegetal faz nascerem vibrações fibrosas, superfícies vivas, territórios originais.

Sabine Buchmann é uma ordenadora das diferentes facetas do mistério do mundo: conciliadora da Arte e da Vida.

Jean-Claude Marcadé

Brasília/Vargem bonita, 30/10/2014

(Tradução SidneyBarbosa)

Commentaires

Laisser un commentaire